Monografia técnica nº 02 · Arquivo do Observatório

Ezon Partners Departamento de Gravitação Aplicada Edição 2026 · rev. 2

A mecânica da atração

Resumo

Este volume documenta a física que a Ezon Partners pratica desde o primeiro dia: a da atração. Não a atração que se anuncia — a que se mede. Massa, órbita, trajetória e horizonte, desenhadas em prancheta, com as constantes à vista.

Nenhuma figura deste arquivo é decorativa. Cada curva obedece à mesma lei: o que tem substância deforma o espaço ao redor. O resto é consequência.

a₁ 1,00 a₂ 1,44 a₃ 2,00 a₄ 2,78 T₁ = 1,00 P · T₂ = 1,74 P · T₃ = 2,83 P · T₄ = 4,63 P T² ∝ a³
FIG. 01 — Sistema orbital em escala de período Períodos relativos exatos · rotação contínua por CSS
  • G = 6,674 × 10⁻¹¹ N·m²/kg²
  • c = 299 792 458 m/s
  • r_s = 2GM/c²
  • δ☉ = 1,75″ na borda solar
  • ∝ a³

§ 01 · Prancha II

Massa

Massa não se anuncia. Deforma.

Um corpo com massa suficiente não persegue o que deseja: ele altera a geometria ao redor, e o espaço passa a trabalhar a seu favor. Em mecânica celeste, isso se chama campo. No mercado, chama-se reputação.

A régua é objetiva. A velocidade de escape mede quanto custa ir embora — e cresce com a densidade do corpo. Quanto mais substância por metro, mais caro o adeus.

ve = √(2GM / r)velocidade de escape a uma distância r de uma massa M

Tabela 1 — o preço de sair
CorpoMassav_e
Lua7,35 × 10²² kg2,38 km/s
Terra5,97 × 10²⁴ kg11,19 km/s
Sol1,99 × 10³⁰ kg617,5 km/s
Sgr A*, no horizonte8,26 × 10³⁶ kgc
M Φ(r) = −GM / r equipotenciais
FIG. 02 — Deformação do campo Linhas de referência sob influência de M

§ 02 · Prancha III

Órbita

Quem tem massa suficiente não persegue. É orbitado.

Kepler mediu o comportamento de um corpo capturado: ele varre áreas iguais em tempos iguais — acelera quando está perto, hesita quando está longe, mas volta. Toda relação duradoura tem essa assinatura: o retorno periódico, previsível como um trânsito.

No orrério da capa, cada período obedece a T² ∝ a³. Nada ali gira por decoração.

T² ∝ a³terceira lei de Kepler — período ao quadrado, semieixo ao cubo

Tabela 2 — períodos do orrério (base a₁)
ÓrbitaaT
I1,001,00 P
II1,441,74 P
III2,002,83 P
IV2,784,63 P
A₁ A₂ v_per v_afe F₂ A₁ = A₂ ⇒ Δt₁ = Δt₂ e = 0,76 · v_per ≈ 7,4 × v_afe
FIG. 03 — Áreas iguais, tempos iguais Segunda lei de Kepler · diagrama esquemático

§ 03 · Prancha IV

Trajetória

Ninguém atravessa um campo em linha reta.

A curvatura não pede licença: age sobre quem só estava de passagem. O parâmetro de impacto b decide o desfecho — desvio discreto, contorno na esfera de fótons ou captura definitiva.

Abaixo de b = 2,60 r_s não existe trajetória de saída. A luz que cruza essa linha não está mais de passagem.

Tabela 3 — desfecho por parâmetro de impacto
b / r_sDesfechoδ
12,0desvio leve≈ 9,5°
8,0desvio≈ 14,3°
5,0desvio forte≈ 22,9°
2,60espirala na esfera de fótons
1,50captura

δ ≈ 2 r_s / b, aproximação de campo fraco; b_crit = (3√3/2) r_s ≈ 2,60 r_s.

b = 12 r_s b = 8 r_s b = 5 r_s b = 2,60 r_s b = 1,50 r_s → captura δ ≈ 9,5° δ ≈ 14,3° δ ≈ 22,9° r_s
FIG. 04 — Deflexão por parâmetro de impacto Cinco travessias · um único campo

§ 04 · Prancha V

Horizonte

Existe um raio onde sair deixa de ser uma opção.

O horizonte de eventos não é uma parede. É a distância em que a velocidade de escape alcança a da luz — e ficar se torna a única direção. Projetamos para dentro desse raio: marcas, produtos e relações que ninguém atravessa por acidente e de onde ninguém sai por vontade.

rs = 2GM / c²raio de Schwarzschild — onde v_e = c

Tabela 4 — horizontes reais
Corpor_s
Terra8,87 mm
Sol2,95 km
Sgr A* (4,15 × 10⁶ M☉)1,23 × 10¹⁰ m
1,5 r_s esfera de fótons r_s = 2GM/c² 3 r_s última órbita estável v_e(r_s) = c · dentro: todas as direções apontam para o centro
FIG. 05 — Anatomia do horizonte Métrica de Schwarzschild · proporções exatas

Conclusão do volume

Quem cruza o horizonte não sente a travessia.

Só percebe, tempos depois, que todas as direções apontam para dentro — e que não há motivo para apontar para fora. Permanência não se pede. Projeta-se.